Entre Dunas e Arranha-Céus: A Jeddah Que Ninguém Te Conta e Como Vivemos Dois Dias Inesquecíveis

 O ar quente de Jeddah me acertou como um tapa seco assim que saímos do avião no Aeroporto Internacional Rei Abdulaziz, carregado com o cheiro de sal do Mar Vermelho misturado a algo mais antigo, como incenso queimando em mercados escondidos. Minha namorada, Ana, apertou minha mão suada enquanto caminhávamos para o táxi: "Você tem certeza disso? Deserto em casal, por apenas dois dias?". Eu ri, mas por dentro, o estômago revirava – Arábia Saudita parecia um salto no desconhecido, um lugar de arranha-céus reluzentes e dunas infinitas que eu só conhecia de fotos empoeiradas no Instagram.



Dois dias. 48 horas para provar que Jeddah não era só petróleo e peregrinos, mas uma cidade que pulsava com contrastes que mudariam tudo. O sol poente tingia os prédios de laranja enquanto acelerávamos pela autoestrada, e eu soube: isso seria inesquecível.

Jeddah sempre foi aquela cidade que você ouve falar de relance – porta de entrada para Meca, centro comercial histórico, porto do Mar Vermelho – mas nunca aquela que encabeça listas de "Top 10 Destinos Românticos". Para ser honesto, quando sugeri a Ana passarmos um fim de semana prolongado na segunda maior cidade da Arábia Saudita, a resposta foi um silêncio longo seguido de: "Tá, mas o que a gente faz lá? Olhar prédios?". Justo. Mas algo nas fotos do deserto dourado contrastando com a linha moderna do skyline me fisgou. Queria sentir aquele choque, aquela dissonância entre o antigo e o novo, entre a areia milenar e o concreto erguido em décadas.

Reservamos tudo pelo TripAdvisor em uma noite de impulso: dois dias, um hotel cinco estrelas com vista para o mar, um safari privado no deserto que prometia quadriciclos e camelos, e um vago plano de explorar a famosa Corniche. Total investido: cerca de R$ 4.500 para o casal, incluindo passagens, hospedagem e experiências principais. Parecia caro para 48 horas, mas algo me dizia que valeria cada centavo. Spoiler: valeu muito mais do que isso.

A Chegada ao Jeddah Hilton: Um Oásis no Caos Urbano

Check-in no Jeddah Hilton foi como entrar em um portal para outro mundo. O lobby, com seus tetos altos e lustres que refletiam o mar ao fundo, cheirava a café árabe forte e flores frescas – não o perfume sintético de hotéis genéricos, mas algo terroso, autêntico, como se alguém tivesse acabado de colher jasmins no jardim. "Bem-vindos ao Jeddah Hilton, senhores", disse o recepcionista com um sorriso que parecia genuíno, não aquele treinado de manual corporativo. Ele entregou as chaves eletrônicas para o quarto 1207, no 12º andar, com vista para o Mar Vermelho.

Subimos no elevador silencioso, apenas o som suave de música árabe instrumental nos acompanhando, e Ana soltou: "Olha isso, amor! Parece um navio ancorado na cidade". Ela tinha razão – o Hilton se erguia como um transatlântico de vidro e aço na orla de Jeddah, cercado por palmeiras e pelo burburinho constante da Corniche logo abaixo. O quarto era amplo, 40 metros quadrados de espaço limpo e minimalista, com cama king size que afundava sob lençóis brancos impecáveis, uma TV de 55 polegadas que nunca ligamos, e uma varanda estreita onde o vento salgado bagunçava nosso cabelo ainda grudado de horas de voo.

"Que vista absurda", Ana murmurou, debruçada no parapeito de vidro, olhando o Mar Vermelho se estender até onde a vista alcançava, a água mudando de azul-turquesa para verde-escuro conforme o sol descia. Abaixo, a Corniche fervilhava: famílias caminhando, crianças correndo, vendedores de milho assado empurrando carrinhos enfumaçados. Era caos organizado, vida pulsando contra o pano de fundo do mar infinito.

Despejamos as malas sem cerimônia – roupas leves, protetor solar fator 70, câmera cheia de bateria – e descemos para jantar no restaurante principal do hotel, o Al Bustan. O menu era vasto, mas pedimos o clássico: kabsa, o prato nacional saudita, uma montanha de arroz perfumado com açafrão, cardamomo e canela, coberto por pedaços generosos de cordeiro assado que desfiavam só de olhar. Custou SAR 120 por porção, cerca de R$ 170, e vinha acompanhado de salada de pepino, tomate e iogurte temperado com hortelã fresca. O primeiro garfo foi revelação – o cordeiro derretia na boca, o arroz tinha aquela textura úmida perfeita, e as especiarias explodiam sem dominar, equilibradas como uma orquestra afinada.

"Isso é melhor que aquele cordeiro que comemos na Grécia", Ana disse entre garfadas, olhos arregalados. Eu concordei, limpando molho do prato com pão árabe quentinho. Jantamos devagar, sem pressa, observando outros hóspedes – executivos sauditas de thobe branco, famílias europeias com crianças barulhentas, um casal indiano tirando selfies com a sobremesa. O Hilton era um microcosmo de Jeddah: global, mas ancorado em algo profundamente local.

Depois do jantar, descemos para a piscina externa ao pôr do sol, uma piscina infinity que parecia desaguar direto no Mar Vermelho. A água estava morna, quase corporal, e mergulhamos sem pensar, lavando o cansaço do voo. Flutuamos de costas, olhando o céu virar de laranja para roxo para preto pontilhado de estrelas. Não trocamos muitas palavras – só o som da água lambendo as bordas da piscina, o riso distante de outras pessoas, o murmúrio da cidade atrás de nós. Naquele momento, suados, exaustos, mas completamente presentes, eu soube: Jeddah já tinha começado a nos transformar.

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O Jeddah Hilton, avaliado em 4 de 5 estrelas no TripAdvisor por mais de 800 hóspedes, é conhecido por quartos espaçosos, localização privilegiada na Corniche e serviço atencioso. Alguns viajantes mencionam que o hotel tem aparência externa datada e pequenos problemas com bagagem, mas a maioria concorda: a vista, a piscina e o conforto compensam qualquer imperfeição. Para nós, foi mais que um hotel – foi nosso porto seguro nesses dois dias intensos, o lugar para onde voltávamos exaustos e felizes, sabendo que uma cama macia e uma varanda com vento salgado nos esperavam.

Dia 1: Da Corniche ao Deserto – Contrastes em Poucas Horas

Acordamos às 7h com o sol já forte atravessando as cortinas finas. O café da manhã do Hilton era buffet generoso: pães árabes recém-assados, labneh cremoso (iogurte coado que tem textura de cream cheese), azeitonas pretas e verdes brilhantes em azeite, ovos mexidos com tomate e coentro, suco de laranja espremido na hora, e aquele café árabe forte servido em xícaras minúsculas que te acorda com um tapa. Comemos como se não houvesse amanhã, sabendo que o dia seria longo.

Primeira parada: a Corniche de Jeddah, aquela faixa lendária de 163 quilômetros de calçadão à beira-mar que serpenteia como uma artéria viva pela cidade. Pegamos um Uber no hotel às 10h – motorista simpático chamado Ahmed que falava inglês arranhado e insistia em nos mostrar fotos dos filhos no celular – e descemos 5 quilômetros ao sul, na altura da Fonte do Rei Fahd, a fonte mais alta do mundo.

Caminhamos. Muito. O asfalto do calçadão queimava as solas das sandálias mesmo de manhã, o sol martelando a 38°C, mas não conseguíamos parar. A Corniche é hipnótica: de um lado, o Mar Vermelho cintilando em tons de azul impossível, águas calmas onde barcos de pesca balançavam preguiçosos; do outro, a cidade se erguendo em camadas – prédios baixos coloniais de Al Balad ao longe, arranha-céus espelhados refletindo o céu, mesquitas com minaretes pontudos rasgando o horizonte. E no meio, pessoas. Tantas pessoas.

Famílias inteiras faziam piquenique em gramados verdes artificiais regados por aspersores que jogavam água em arcos prismáticos. Crianças gritavam em playgrounds coloridos, escalando estruturas de metal que deviam estar fervendo ao toque. Vendedores ambulantes empurravam carrinhos de milho grelhado (SAR 5 por espiga, fumegante e coberto de manteiga derretida), algodão-doce rosa gigante, e água gelada em garrafas suadas. Adolescentes andavam de bicicleta em grupos barulhentos, buzinas soando. Um homem idoso vendia pipas de papel crepom amarelo e vermelho que dançavam no vento salgado, subindo alto contra o azul sem nuvens.

"Isso é surreal", Ana murmurou, parando para um sorvete de pistache em uma barraca improvisada. SAR 10, cerca de R$ 14. O gosto era cremoso, adocicado com aquele fundo terroso característico do pistache verdadeiro, derretendo na língua como neve no deserto. Comemos sentados em um banco de concreto, olhando a Fonte do Rei Fahd jorrar água a 312 metros de altura, um esguicho impossível que desafiava a gravidade, a água subindo e subindo até virar neblina no topo, caindo de volta em cortinas translúcidas que o vento desviava.

Caminhamos mais 3 quilômetros, passando por esculturas gigantes espalhadas ao longo da Corniche – uma obra abstrata de metal oxidado que lembrava velas de barco, um polvo tentacular de 10 metros todo em aço inoxidável polido, uma esfera espelhada onde as pessoas tiravam selfies distorcidas. Jeddah leva arte pública a sério, cada pedaço de calçadão decorado com algo inesperado, como se a cidade quisesse provar que pode ser moderna sem perder a alma.

Paramos em um café à beira-mar para almoço leve – sanduíches de falafel crocante com tahine e picles, acompanhados de chá de menta gelado que cortava o calor (SAR 35 para dois). O garçom, um jovem sírio refugiado chamado Tariq, nos contou em inglês fluente que Jeddah era sua casa há cinco anos, que a cidade o acolheu quando ele não tinha nada. "As pessoas aqui têm coração grande", disse, batendo no peito com o punho. "Você vai ver". Pagamos, deixamos gorjeta generosa (ele tentou recusar, mas insistimos), e saímos com aquela sensação quente de que Jeddah era mais que concreto e calor.

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O Safari Privado no Deserto: Quando as Dunas Viraram Nosso Mundo

Voltamos ao Hilton às 14h30, tomamos banho rápido (areia invisível já grudando em tudo), e às 15h em ponto, um Toyota Land Cruiser branco brilhante parou na entrada do hotel, buzina soando duas vezes. Era Sami, nosso guia do safari privado reservado pela My Saudi Tours no TripAdvisor por R$ 1.420 para o casal – pacote de 6 horas incluindo transporte, fazenda de camelos, dune bashing, 1 hora de quadriciclo por pessoa, água e refrigerantes ilimitados, fotos em trajes árabes e pôr do sol no deserto.



Sami tinha 35 anos, barba espessa perfeitamente aparada, óculos escuros Ray-Ban, e um riso contagiante que explodia a cada 30 segundos. "Primeira vez no deserto?", perguntou em inglês fluente com sotaque britânico (estudou em Londres, descobrimos depois). "Sim, e com medo", confessei, enquanto Ana ria nervosa ao meu lado no banco traseiro de couro frio demais pelo ar-condicionado no máximo. "Medo é bom! Significa que você está vivo", Sami respondeu, acelerando para a autoestrada. "Mas não se preocupem – deserto não morde. Muito". Mais risadas.

A cidade foi desaparecendo aos poucos pela janela: arranha-céus deram lugar a conjuntos habitacionais de classe média, que viraram galpões industriais, que viraram postos de gasolina solitários, até que só restou asfalto negro rachado e, finalmente, 45 minutos depois, as primeiras dunas. Douradas. Infinitas. Ondulando até o horizonte como um oceano petrificado, cada crista iluminada pelo sol da tarde, cada vale escuro em sombras profundas. O silêncio dentro do carro era reverente – até Sami parou de falar, deixando a vastidão falar por si.


Primeira parada: uma fazenda de camelos improvisada, cercado de madeira tosca segurando 12 camelos dromedários (uma corcova só) que mastigavam feno seco com olhares entediados. "Camelos são criaturas preguiçosas", Sami explicou, abrindo a porteira. "Mas também as mais resistentes do planeta. Três semanas sem água, 50°C de calor, e eles seguem andando". Montamos um camelo cada – bem, na verdade subimos em montarias de madeira presas nas costas dos bichos, que bufaram irritados ao se levantar (pernas traseiras primeiro, você quase cai para frente, depois dianteiras, e você jura que vai voar por cima da cabeça dele).

O passeio foi curto, 10 minutos em círculos lentos ao redor da fazenda, mas hipnótico. O balanço ritmado, para frente e para trás, como um berço gigante embalado por alguém invisível. O cheiro forte de couro suado e leite azedo que emanava do pelo do animal. O rangido da montaria de madeira. O silêncio do deserto quebrado só pelo som abafado das patas largas na areia fofa. Do alto – camellos são surpreendentemente altos, quase 2 metros de altura na corcova – o deserto parecia ainda maior, mais vazio, mais honesto.

Descemos com pernas bambas (montar camelo trabalha músculos que você nem sabia que existia) e Sami serviu água gelada e Coca-Cola de um cooler no porta-malas do Land Cruiser. Bebemos 2 litros cada em cinco minutos, a água descendo gelada pela garganta seca de poeira. "Agora", Sami anunciou com aquele sorriso maléfico, "agora vem a parte divertida".

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Dune Bashing: Montanha-Russa Natural

Dune bashing é exatamente o que parece: um 4x4 potente subindo e descendo dunas de areia em velocidades insanas, ângulos impossíveis, curvas fechadas que desafiam física básica. Sami amarrou nossos cintos de segurança com força militar, esvaziou parcialmente os pneus do Land Cruiser (aumenta aderência na areia, ele explicou), ligou música árabe eletrônica no último volume, olhou para trás com olhos brilhando, e disse: "Segurem-se".

A primeira subida foi suave – aceleração constante, motor rugindo, areia voando pelas laterais do carro em cortinas douradas. Chegamos ao topo de uma duna de 30 metros de altura, e por um segundo suspenso, vimos apenas céu. Depois, a descida: vertical, estômago subindo para a garganta, gritos involuntários escapando (meu e de Ana), o carro deslizando lateralmente em ângulo de 45 graus, Sami rindo feito louco ao volante, mãos firmes corrigindo derrapagens com toques mínimos. Batemos na base da duna, areia explodindo contra o para-brisa, já subindo a próxima.

20 minutos de pura adrenalina. Dunas cada vez maiores, mais íngremes, ângulos cada vez mais absurdos. Em um ponto, o Land Cruiser estava tão inclinado que eu jurava que iríamos capotar – podia ver o céu pela janela de Ana, só areia pela minha – mas Sami acelerou no momento exato e o carro se endireitou, deslizando ladeira abaixo como um surfista em onda gigante. "MAIS RÁPIDO!", Ana berrou, olhos arregalados, cabelo bagunçado colado na testa suada. Sami obedeceu.

Quando paramos, estávamos ofegantes, mãos tremendo de adrenalina residual, sorrindo feito idiotas. "Isso foi...", comecei, mas não tinha palavras. "Foi insano", Ana completou, voz ainda trêmula. "Melhor que qualquer parque de diversões que já fui". Sami assentiu, satisfeito. "Deserto é honesto. Se você respeita, ele te dá diversão. Se não respeita, te engole". Olhamos ao redor: dunas infinitas, silêncio absoluto agora que o motor estava desligado, apenas o vento sussurrando histórias antigas na areia.

Quadriciclo: Liberdade Sobre Quatro Rodas

O clímax da experiência: 1 hora de quadriciclo. Cada um no seu, não compartilhável. Sami tirou dois ATVs Yamaha Raptor 110cc da traseira de um trailer escondido atrás de uma duna – como ele tinha chegado lá, mistério – e deu instruções rápidas: acelerador no polegar direito, freio no pé esquerdo, sempre suba dunas reto (nunca de lado, senão capota), e se cair, não entre em pânico, areia é macia.



Liguei o motor. Rugido satisfatório, vibração subindo pelos braços. Ana fez o mesmo ao meu lado, testando o acelerador com toques tímidos, o quad avançando em solavancos. "Vou devagar", ela avisou. "Eu não", respondi, e acelerei.

A sensação é impossível de descrever em palavras que façam justiça. Você está sobre quatro rodas grossas, motor entre as pernas, areia voando pelas laterais, vento batendo no rosto com força que faz os olhos lacrimejarem. Sobe uma duna: acelera forte, corpo inclinado para frente, o quad ronca esforçado, chega no topo e por um segundo você está voando, suspenso entre areia e céu, depois bate do outro lado e o impacto sobe pela coluna mas você está rindo, gritando, já olhando a próxima duna. Desce em ziguezague, areia escorregando sob os pneus, o quad dançando mas obediente, respondendo a cada toque no guidão.

Deixei Ana para trás rapidamente (ela admitiu depois que ficou com medo e foi devagar, o que é absolutamente válido). Ataquei o deserto sozinho: 10 minutos, 15, 20, perdendo a noção de tempo e espaço, apenas eu, a máquina, e as dunas infinitas. Subi uma particularmente íngreme, o motor gritando em protesto, quase desisti no meio mas acelerei mais, alcancei o topo suado e ofegante, e lá estava: o deserto inteiro estendido em todas as direções, ondas douradas até onde a vista alcançava, o sol começando a descer tingindo tudo de laranja e rosa.

Desliguei o motor. Silêncio absoluto. Nem vento, nem pássaro, nem inseto. Apenas silêncio tão profundo que você ouve o próprio sangue pulsando nos ouvidos. Coração batendo a 150 bpm, mãos tremendo de esforço, suor escorrendo pelas costas colando a camisa, areia fina grudada nos dentes, nos olhos, na alma. E eu, pela primeira vez em anos, completamente presente. Sem celular (deixei no carro), sem preocupações, sem planos – só eu e o agora.

"AMOR!", o grito de Ana ecoou distante. Liguei o quad e desci para encontrá-la, sorrindo tanto que doía o rosto.

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Pôr do Sol e Fotos em Trajes Árabes: O Fechamento Perfeito

Nos reencontramos na base, onde Sami tinha preparado uma "surpresa": baú de madeira aberto cheio de roupas árabes tradicionais para fotos – thobes brancos, turbantes coloridos, véus bordados, lenços Keffiyeh. "Turistas adoram isso", ele disse rindo, mas sem sarcasmo, genuinamente querendo que aproveitássemos. Trocamos de roupa: eu de turbante vermelho e branco amarrado torto, Ana de véu dourado bordado que pegava a luz do sol poente.

Escalamos a duna mais alta próxima, Sami carregando a câmera Canon profissional. No topo, o show: o sol descendo rápido (no deserto, ele não demora, simplesmente despenca quando decide), tingindo o céu de camadas – laranja embaixo, rosa no meio, roxo no topo, azul escuro aparecendo nas bordas. As dunas viraram ouro líquido, cada crista iluminada, cada vale em sombra roxa profunda. Silêncio quebrado só pelo vento suave que fazia o véu de Ana flutuar como em filme de Hollywood.



Sami tirou 50 fotos – nós rindo, abraçados, olhando o horizonte, pulando (clichê mas divertido), sérios fingindo profundidade. "Essa vai para o Instagram", Ana disse, olhando a tela da câmera de Sami, uma foto dela de perfil com véu voando, sol vermelho ao fundo, dunas douradas embaixo. Perfeita. Irreal. Real.

Ficamos lá 30 minutos, vendo o sol desaparecer completamente, as estrelas começando a pontilhar o céu que escurecia rápido. Sem poluição luminosa, o céu do deserto é assustadoramente estrelado – Via Láctea visível como mancha esbranquiçada rasgando o negro, constelações que não via desde criança. "Agora entendem por que beduínos navegavam pelas estrelas?", Sami perguntou, voz baixa, reverente. "Aqui, céu é mapa". Entendemos.

Voltamos para Jeddah em silêncio contemplativo, exaustos mas eletrificados. Sami nos deixou no Hilton às 21h, se despedindo com abraços apertados e números de telefone trocados ("Se precisarem de qualquer coisa, liguem, não importa a hora"). Tentamos dar gorjeta extra – recusou. "Vocês foram bons passageiros. Isso é pagamento suficiente". Insistimos, ele aceitou SAR 50 (R$ 70) com relutância, e partiu buzinando duas vezes.

Subimos para o quarto cambaleando de cansaço, tomamos banho de 20 minutos lavando areia de lugares impossíveis, e desmaiamos na cama sem jantar, corpos doloridos, mentes ainda vagando pelas dunas.

Dia 2: Corniche de Bike, Spa e Reflexões Finais

Acordamos tarde, 9h, corpo inteiro reclamando de músculos que usamos pela primeira vez. Café da manhã farto no Hilton novamente – desta vez focamos em frutas frescas (manga cortada em cubos perfeitamente simétricos, melancia gelada, uvas verdes sem semente) e croissants amanteigados com geleia de figo. Comemos na varanda do restaurante, vendo o Mar Vermelho acordar sob o sol já forte.



Plano para o dia: mais Corniche, mas de bike. Alugamos duas bicicletas antigas mas funcionais em uma barraca próxima ao hotel por SAR 20/hora cada (R$ 28). Pedalamos 8 quilômetros ao norte, passando por trechos da Corniche que não tínhamos visto antes: um píer de madeira onde pescadores locais lançavam linhas em águas tranquilas, crianças correndo atrás de gaivotas que roubavam pedaços de pão, um parque de skate improvisado onde adolescentes praticavam truques em rampas de concreto rachado.

Paramos em um quiosque colorido que vendia suco de cana fresco – SAR 8 o copo grande, verde-claro espumante, doce mas refrescante, pedaços de gelo flutuando. Bebemos sentados em bancos de plástico vermelho, observando a vida passar: mulheres de abaya preta conversando animadas, homens jogando baralho em mesa improvisada, uma família inteira fazendo churrasco em churrasqueira portátil (cheiro de cordeiro grelhado com cominho invadindo o ar).

"Podíamos morar aqui", Ana disse de repente, meio séria meio brincando. "É diferente, mas... acolhedor". Eu entendi o que ela quis dizer. Jeddah tinha essa qualidade estranha: cosmopolita mas íntima, grande mas não opressiva, moderna mas enraizada em tradições que você sentia em cada esquina.

Voltamos ao Hilton ao meio-dia, devolvemos as bikes (o atendente nem conferiu quanto tempo tínhamos ficado, cobrou apenas 2 horas), e decidimos usar a tarde para relaxar. Piscina por 1 hora, água morna, sol queimando devagar, drinks sem álcool (Arábia Saudita é seca) mas saborosos – mocktail de manga e maracujá por SAR 25 cada, servido em copos altos com guarda-chuva de papel.

Depois, spa. Reservamos massagem de 50 minutos no Hilton Spa no térreo – SAR 300 por pessoa (R$ 420). Sala com luz baixa, música de água corrente, cheiro de óleo essencial de lavanda e eucalipto. Massagista chamada Fatima, filipina de 40 anos com mãos fortes que encontraram cada nó muscular acumulado de dois dias intensos. Gemi de dor e alívio enquanto ela trabalhava ombros, costas, panturrilhas doloridas do quadriciclo. 50 minutos passaram em 5. Saí derretido, músculos líquidos, mente vazia em paz absoluta.

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Tarde livre: caminhamos sem rumo pela vizinhança ao redor do Hilton, entramos em algumas lojas de souvenirs (compramos ímãs de geladeira clichês e um lenço Keffiyeh vermelho e branco por SAR 40), paramos para café árabe forte e tâmaras em um café de calçada onde homens idosos jogavam gamão com concentração cirúrgica.

Jantar foi no Red Sea Mall, shopping gigante a 10 minutos de Uber do hotel. Escolhemos o Shawaya House, restaurante tradicional saudita famoso por grelhados. Pedimos mixed grill para dois: espetinhos de cordeiro, frango, kafta, acompanhados de arroz branco simples, hummus cremoso, salada fatoush crocante, e pão sajj enorme ainda quente da chapa. SAR 150 total (R$ 210). A carne era suculenta, carbonizada nas bordas, suculenta no meio, temperada com páprica e cominho. Comemos com as mãos, lambendo dedos gordurosos, sem vergonha.

Voltamos ao hotel cheios e felizes, fizemos as malas em silêncio (voo saía às 10h da manhã seguinte), e fomos para a varanda uma última vez. O Mar Vermelho estava negro agora, pontilhado por luzes de barcos distantes. A cidade zunía abaixo, viva mesmo à meia-noite.

"Valeu a pena", Ana disse, cabeça no meu ombro. "Cada centavo". Concordei, beijando seu cabelo que ainda cheirava levemente a areia do deserto.

O Que Jeddah Me Ensinou Sobre Viagens e Vulnerabilidade

Confesso: cheguei em Jeddah com preconceitos bobos. Arábia Saudita parecia intimidante – conservadora demais, quente demais, diferente demais. Eu me via como viajante experiente (15 países carimbados no passaporte), mas Jeddah expôs meu medo do verdadeiramente desconhecido. E sabe o que aprendi? Vulnerabilidade é a porta de entrada para experiências reais.



Pilotar aquele quadriciclo sozinho nas dunas, coração na boca, sem saber se ia capotar na próxima curva, foi um dos momentos mais libertadores da minha vida. Não porque era perigoso (não era, Sami não teria permitido), mas porque eu escolhi sair da zona de conforto e confiar. Confiar no equipamento, no guia, em mim mesmo. E quando parei no topo daquela duna, cercado por silêncio absoluto, percebi: sou minúsculo. Insignificante. E isso é libertador.

Ana e eu tivemos conversas naqueles dois dias que não tínhamos há meses, talvez anos. Sobre medos (ela admitiu que tinha medo de camelos desde criança, mas enfrentou por mim), sobre sonhos (queremos voltar ao Oriente Médio, explorar Omã, Jordânia, EAU), sobre o que realmente importa (não é quantos países você visita, mas quão presente você está em cada momento). "Eu te amo mais agora", eu disse a ela na varanda do Hilton na última noite, e era verdade pura, sem romantismo forçado. Jeddah nos deu espaço para reconectar, para sair da rotina de trabalho-casa-trabalho e lembrar porque escolhemos estar juntos.

E a hospitalidade saudita – não é clichê. Sami nos deu o número pessoal dele, ofereceu ajuda genuína se precisássemos. O recepcionista do Hilton lembrou nossos nomes no segundo dia. O vendedor de suco de cana nos deu desconto sem pedirmos porque "vocês são jovens, economizem para próxima viagem". Pequenos gestos que constroem conexões reais.

Dois dias em Jeddah me ensinaram: contrastes não são contradições. Você pode ter arranha-céus modernos e tradições ancestrais. Luxo de cinco estrelas e autenticidade de barraca de rua. Velocidade insana de quadriciclo e silêncio contemplativo de deserto. Tudo coexiste, tudo se enriquece mutuamente. Somos ocidentais tentando entender o Oriente, mas no final, humanidade é universal – sorrisos, generosidade, curiosidade, medo, coragem. Isso não tem fronteira.

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De Volta ao Mundo Real: Reflexões no Aeroporto

O Uber para o Aeroporto Internacional Rei Abdulaziz chegou às 7h. Despedida rápida do Hilton – check-out eficiente, recepcionista desejando boa viagem com sinceridade. A cidade ainda acordava: trânsito leve, lojas com portas fechadas, primeiros raios de sol pintando prédios de dourado.

No aeroporto, fila de segurança calma, funcionários corteses. Sentamos no lounge VIP (upgrade de última hora com pontos de cartão de crédito), comendo tâmaras e tomando chá de menta enquanto o painel de partidas atualizava voos. "Já sinto falta", Ana disse, olhando pela janela onde aviões decolavam em intervalos regulares. "Do deserto. Do silêncio". Eu também.

Embarcamos no A380 da Saudia Airlines, encontramos nossos assentos, guardamos as malas de mão cheias de lembranças intangíveis. O avião taxiou, acelerou, decolou, e Jeddah ficou pequena pela janela – faixa marrom de deserto, linha azul de Mar Vermelho, mancha cinza de cidade. Em 5 minutos, era apenas nuvens.

Mas o cheiro de areia ainda estava nas minhas narinas. O gosto de kabsa ainda na língua. O eco do motor do quadriciclo ainda nos ouvidos. Jeddah não ficou para trás – veio conosco, gravada em memórias que vão resistir décadas. E quando alguém perguntar "Vale a pena visitar a Arábia Saudita?", vou responder: "Dois dias em Jeddah mudaram minha percepção sobre o mundo. O que você acha?".

Informações Práticas: Como Planejar Seus Dois Dias em Jeddah

Hospedagem

  • Jeddah Hilton: SAR 500-700/noite (R$ 700-980), vista mar, piscina, spa, café da manhã opcional SAR 60/pessoa. Reserve via TripAdvisor para melhor tarifa.

  • Alternativas: Radisson Blu, Movenpick, Rosewood Corniche (mais caros); ibis Styles (mais econômico).

Safari no Deserto

  • My Saudi Tours: Pacote privado 6h – R$ 1.420/casal (quadriciclo, camelos, dune bashing, fotos, água/refrigerante). Reserve com antecedência no TripAdvisor.

  • Leve: protetor solar FPS 70+, óculos de sol, lenço para cobrir boca/nariz, câmera em case à prova de areia.

Alimentação

  • Kabsa: SAR 80-150 (R$ 110-210)

  • Falafel/street food: SAR 15-35 (R$ 21-49)

  • Restaurantes tradicionais (Al Basali, Shawaya House): SAR 100-200/pessoa (R$ 140-280)

  • Cafés: SAR 10-25 (R$ 14-35)

Transporte

  • Uber funciona perfeitamente: aeroporto-hotel SAR 60-80 (R$ 84-112), trajetos pela cidade SAR 15-40 (R$ 21-56).

  • Aluguel de bike: SAR 20/hora (R$ 28).

Melhor Época

  • Outubro a março: temperaturas 20-30°C, agradável.

  • Evite junho a setembro: 40-50°C, deserto insuportável.

Visto

  • Visto eletrônico de turista: USD 120 online, válido 1 ano, múltiplas entradas. Aprovação em 24-48h.

Dicas Importantes

  • Respeite códigos de vestimenta: ombros e joelhos cobertos em locais públicos (relaxado na Corniche e hotéis).

  • Arábia Saudita é seca – zero álcool em todo país.

  • Sexta-feira é dia sagrado – muitos locais fecham até 14h.

  • TripAdvisor é essencial: reviews honestos, reservas confiáveis, melhores tarifas.

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