A Primeira Vez Que Vi o Mar de Noronha do Meio Dele
Eram 6h47 da manhã quando senti o vento gelado bater no meu rosto pela primeira vez naquele dia. Não era o vento suave das praias — era diferente, mais intenso, mais real. Estávamos a 200 metros da costa da Praia do Cachorro, e eu segurava o remo da canoa havaiana com tanta força que minhas mãos já suavam dentro do colete salva-vidas. Ao meu lado, minha irmã respirava fundo, tentando esconder o mesmo nervosismo que eu sentia. Atrás de nós, meu marido e meu melhor amigo conversavam baixinho, provavelmente fazendo piadas para disfarçar a tensão.
A canoa balançava. Muito. E ninguém tinha nos avisado que balançaria tanto.
"Primeira vez de vocês?" O instrutor, Marcelo, perguntou com um sorriso que misturava paciência e diversão. Ele já sabia a resposta só de olhar para nossas caras. "Relaxem. A canoa vai se mexer, mas vocês vão se mexer com ela. É como dançar."
Dançar. Certo. Eu mal consigo dançar em terra firme.
Mas então aconteceu algo que mudou tudo: o sol começou a aparecer no horizonte, transformando o mar em um espelho laranja e dourado. E quando olhei para baixo, através da água cristalina de Fernando de Noronha, vi um cardume de peixes prateados nadando exatamente abaixo da nossa canoa. Foi nesse momento — com o coração acelerado, as mãos tremendo no remo e aquela beleza impossível ao redor — que entendi por que todos diziam que remar em canoa havaiana em Noronha não era apenas um passeio. Era uma experiência que te transformava.
Três dias depois, quando deixamos a ilha, não éramos mais os mesmos. E essa é a história de como o medo virou euforia, como o desconforto virou conexão, e como quatro pessoas que mal sabiam remar descobriram algo muito maior do que esperavam.
Por Que Escolhemos a Canoa Havaiana (E Por Que Quase Desistimos)
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A ideia de fazer canoa havaiana em Fernando de Noronha não foi nossa. Foi de Carolina, minha irmã mais velha, que tinha acabado de voltar de um curso de va'a (o nome tradicional da canoa havaiana) em São Paulo. "É meditação em movimento", ela disse com aquele brilho nos olhos que só aparece quando alguém descobre algo que realmente importa. "E imagina fazer isso nas águas de Noronha!"
Eu, sinceramente, queria fazer snorkel. Talvez um mergulho de cilindro. As coisas normais que todo mundo faz em Noronha. Mas Carolina foi insistente, e quando você viaja com família e amigos, às vezes precisa ceder nos planos. O que eu não esperava era que essa "concessão" se tornaria a melhor decisão da viagem inteira.
Mas quase desistimos. Duas vezes.
A primeira vez foi na véspera do primeiro passeio, quando descobrimos que precisaríamos acordar às 5h30 da manhã. "Cinco e meia? Nas férias?" meu marido Paulo reclamou, enrolado no lençol do hotel. Nosso amigo Rafael, sempre prático, foi mais direto: "Vamos perder o nascer do sol na cama por causa de um barquinho?"
A segunda vez foi quando chegamos na praia e vimos a canoa pela primeira vez. Ela era longa — 6 metros, para ser exato — mas muito, muito estreita. E tinha um ama (aquela estrutura flutuante lateral) que parecia frágil demais para segurar o peso de quatro adultos assustados.
"Isso flutua mesmo?" Rafael perguntou, tocando a fibra de vidro com desconfiança.
Marcelo, nosso instrutor, riu. "Flutua há mais de 3.000 anos. Os polinésios cruzaram o Pacífico inteiro nessas canoas. Acho que vocês vão sobreviver a 40 minutos no Mar de Dentro."
Ele tinha razão. Mas naquele momento, com o mar quebrando na areia e a canoa balançando levemente ao vento, eu não tinha tanta certeza.
O Primeiro Remo: Quando o Medo Fala Mais Alto
Subir na canoa foi a parte mais difícil. Não fisicamente — embora exija um pouco de coordenação —, mas emocionalmente. É que a canoa havaiana exige algo que a maioria dos passeios turísticos não exige: confiança. Confiança na canoa, no instrutor, nas outras pessoas remando com você. E principalmente, confiança em você mesmo.
"Carol entra primeiro, no banco da frente. Depois Juliana, Paulo e Rafael. Eu fico atrás comandando", Marcelo instruiu com calma. "E lembrem: quando eu falar 'hut', vocês trocam o remo de lado. Não pensem muito, só sintam o ritmo."
Carol entrou com uma facilidade que me deixou com inveja. Depois foi minha vez. Coloquei um pé dentro, a canoa balançou, meu coração disparou. "Coloca o peso rápido no centro", Marcelo orientou. Eu obedeci, e de repente estava sentada, segurando o remo, tentando não olhar para a água em movimento abaixo de mim.
Paulo e Rafael entraram depois, com a mesma cara de desconforto que eu tinha.
"Prontos?" Marcelo perguntou.
Ninguém respondeu. Então ele remou, e a canoa começou a deslizar sobre a água.
Os primeiros cinco minutos foram terríveis. Eu remava sem ritmo, batendo o remo na água com força demais ou de menos. A canoa balançava a cada movimento errado. Carol tentava manter a calma na frente, mas eu via seus ombros tensos. Paulo, atrás de mim, respirava pesado. Rafael murmurava algo sobre "por que eu concordei com isso".
"Respira", Marcelo falou com aquela calma inabalável. "Vocês estão lutando contra a água. Trabalhem com ela. Sintam o balanço. Entrem no ritmo."
E então, algo mudou.
Não foi mágico. Não foi instantâneo. Mas aos poucos, meus remos começaram a entrar na água de forma mais suave. Carol encontrou um ritmo constante. Paulo parou de bufar. Rafael — surpreendentemente — começou a sorrir.
"Hut!" Marcelo comandou.
Todos trocamos o remo de lado, quase em sincronia. E a canoa acelerou.
Foi nesse momento que olhei para cima e percebi onde estávamos: no meio do Mar de Dentro de Fernando de Noronha, com o Morro do Pico ao longe, cercados por água azul-turquesa que refletia o céu da manhã. E abaixo, através da água cristalina — sério, você consegue ver a 15 metros de profundidade — nadavam tartarugas marinhas.
"Tem uma tartaruga ali!" Carol gritou, apontando.
Marcelo desacelerou. "Vamos parar e observar. Fiquem quietos."
A canoa deslizou silenciosamente enquanto a tartaruga verde, que devia ter uns 80 centímetros, subia para respirar. Ela passou a menos de 2 metros de nós, completamente tranquila, como se canoas havaianas fossem parte natural do seu dia.
Rafael puxou o celular do bolso impermeável. "Ninguém vai acreditar nisso."
Mas o mais incrível não foi a tartaruga. Foi perceber que meu medo tinha sumido. Que eu não estava mais pensando em cair. Que pela primeira vez na vida, eu estava completamente presente em um momento — remando, respirando, vivendo.
Onde Ficamos: Escolhendo Hospedagem em Fernando de Noronha
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Antes de continuar com a história da canoa (e prometo, fica ainda melhor), preciso falar sobre onde ficamos em Noronha. Porque a hospedagem faz toda a diferença quando você planeja atividades que começam às 6h da manhã.
Nós ficamos na Pousada Maravilha. E não, o nome não é exagero.
A escolha foi estratégica: queríamos algo perto das praias principais, com estrutura boa o suficiente para quatro adultos, mas que não fosse tão caro que destruísse nosso orçamento (Noronha não é barato, e economizar na hospedagem significa mais dinheiro para experiências como a canoa havaiana).
A Pousada Maravilha fica no alto de uma falésia com vista para a Baía do Sueste. Nosso quarto — na verdade, um chalé duplo que compartilhamos — tinha varanda com rede, banheiro espaçoso e o que minha irmã chamou de "a melhor ducha da minha vida" depois de voltarmos salgados do primeiro passeio de canoa. Mas o verdadeiro diferencial foi o café da manhã. Começava às 6h (essencial para quem precisa sair cedo) e tinha tapioca feita na hora, frutas locais, pão caseiro e aquele café preto forte que você precisa quando acordou antes do sol. A equipe também preparava lanche para levar — sanduíches naturais e frutas — que salvaram nossa vida nos dias de atividades longas.
Outra vantagem: a pousada fica a 10 minutos de carro da Vila dos Remédios e a 15 minutos da Praia do Cachorro, onde fizemos os passeios de canoa. Alugamos um buggy (R$ 350 por dia, dividido entre quatro ficou tranquilo) e a mobilidade foi perfeita.Alternativas que pesquisamos:
Pousada Triboju: Mais em conta (R$ 400-500/noite), ótima localização na Vila dos Remédios, mas quartos menores para grupos
Pousada do Vale: Excelente custo-benefício (R$ 350-450/noite), ambiente familiar, a 20 minutos a pé da Praia da Conceição
Dolphin Hotel: Mais luxuoso (R$ 1.200+/noite), piscina incrível, mas muito acima do nosso orçamento
Dica de ouro: Reserve com pelo menos 3 meses de antecedência. Noronha tem limite diário de turistas (450 pessoas), e as boas hospedagens esgotam rápido, especialmente em alta temporada (dezembro a março).
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Dia 2: Quando a Euforia Chegou (E Entendemos o Ritmo)
Na segunda manhã, acordamos sem despertador. Às 5h45. Nossos corpos já tinham entrado no ritmo da ilha.
Desta vez, ninguém reclamou. Rafael, que no dia anterior tinha chamado a canoa de "barquinho intimidador", foi o primeiro pronto. Carol preparou um thermos de café que levamos para a praia. Paulo conferiu a câmera GoPro três vezes. Eu? Eu estava ansiosa. Ansiosa no bom sentido — como quando você vai reencontrar um amigo que não via há tempos.
Marcelo nos esperava na Praia do Cachorro com a mesma canoa e um sorriso de quem já sabia o que estava por vir. "Bom dia, remadores! Hoje vocês vão se surpreender com vocês mesmos."
Ele não estava brincando.
Entramos na canoa com muito mais confiança. Sem hesitação. Sem medo. E quando começamos a remar, algo mágico aconteceu: estávamos sincronizados. Completamente. Carol marcava o ritmo na frente, eu seguia sem pensar, Paulo mantinha a cadência, Rafael fechava forte atrás. Marcelo mal precisava comandar.
"Hut!"
Trocamos de lado em uníssono, como se tivéssemos ensaiado por meses.
"Olha só!" Marcelo exclamou, genuinamente impressionado. "Vocês parecem uma equipe de competição!"
A sensação era indescritível. A canoa deslizava sobre a água como se estivesse flutuando no ar. O barulho dos remos cortando a superfície virou uma música — swish, swish, swish — ritmada e constante. E pela primeira vez, eu não estava pensando em técnica ou em não cair. Eu estava apenas remando. E sentindo.
"Agora vocês entenderam", Marcelo disse baixinho, quase como se falasse consigo mesmo. "Isso que vocês estão sentindo? É o va'a. É a conexão. Os polinésios chamam de 'mana' — a energia que flui quando você se move em harmonia com o oceano."
Eu não sou espiritual. Nunca fui. Mas naquele momento, remando em sincronia com minha irmã, meu marido e meu amigo, sentindo a água fria respingando no rosto, vendo golfinhos saltando a 50 metros de distância — sim, tinha algo de sagrado ali.
Remamos por 50 minutos naquele dia. Quase o dobro do tempo do primeiro passeio. Fomos até a Praia da Conceição, contornamos pedras submersas onde peixes-papagaio coloridos se alimentavam de corais, passamos por um ponto onde o mar muda de tom (de azul-claro para azul-escuro em uma linha visível) e voltamos pela mesma rota.
E quando saímos da canoa, estava tudo diferente.
Paulo, que é do tipo silencioso e cético, segurou meu ombro e disse: "Isso foi... não sei nem explicar. Mas foi importante."
Rafael abraçou Marcelo como se fossem amigos de infância. "Cara, você mudou minha viagem."
Carol chorou. Sim, chorou. Daquele jeito leve, de quem está emocionada por algo bom.
E eu? Eu olhei para aquela canoa estreita e frágil que dois dias antes me assustava, e pensei: "Obrigada. Por me ensinar a confiar."
O Que Aprendemos Sobre Família e Amizade em Uma Canoa
Existe algo curioso sobre remar em canoa havaiana com pessoas que você ama: você não pode fingir. Não pode esconder o cansaço, a frustração, o medo ou a alegria. A canoa exige verdade. E isso muda tudo.
No terceiro dia — nosso último passeio — Marcelo propôs um desafio: "Hoje eu fico em silêncio. Vocês comandam a canoa."
Carol assumiu a liderança naturalmente. "Ok, vamos devagar. Juliana, acompanha meu ritmo. Paulo, você e Rafael ajustam conforme a gente acelera ou desacelera."
Funcionou. Na maior parte do tempo.
Teve um momento em que Paulo estava claramente cansado. Seus remos ficaram mais lentos, e a canoa começou a girar levemente para a esquerda. Mas em vez de reclamar, Rafael simplesmente remou mais forte do seu lado para compensar. Sem falar nada. Apenas ajustou.
"Obrigado, mano", Paulo disse entre respirações.
"Sempre."
Foi só isso. Mas foi tudo.
Em outro momento, eu perdi o ritmo. Estava distraída com um cardume de peixes-cirurgião abaixo de nós. Carol sentiu a mudança imediatamente. "Jul, volta comigo. Um, dois, um, dois..."
E eu voltei. Não porque ela estava mandando, mas porque ela estava me guiando.
Essa é a lição que a canoa havaiana ensina: você não precisa ser perfeito, mas precisa estar presente. Você não precisa ser o mais forte, mas precisa tentar. E quando alguém fraqueja, você compensa. Porque na canoa — assim como na vida — se uma pessoa desiste, todo mundo perde o rumo.
"Vocês perceberam?" Marcelo perguntou quando voltamos para a praia. "Vocês se comunicaram sem falar. Vocês se ajustaram sem combinar. Isso é o que equipes reais fazem."
Ele tinha razão. E o mais bonito é que isso não ficou na canoa. Durante o resto da viagem, nós estávamos mais conectados. Mais pacientes. Mais presentes uns com os outros.
Paulo, que normalmente fica no celular respondendo trabalho até nas férias, deixou o telefone no hotel no último dia. "Quero estar aqui. De verdade."
Rafael, que tende a planejar cada minuto da viagem, aceitou improvisar um pôr do sol espontâneo na Praia do Boldró. "Vamos ver no que dá."
Carol parou de se preocupar se estávamos gostando de tudo e começou a apenas aproveitar.
E eu? Eu parei de tentar controlar. Parei de ter medo de parecer boba, fraca ou perdida. E comecei a confiar — nas pessoas ao meu redor e em mim mesma.
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Os Detalhes Práticos: Tudo Que Você Precisa Saber Sobre Canoa Havaiana em Noronha
Ok, vamos falar de logística. Porque experiências transformadoras são incríveis, mas você precisa saber como organizar a sua.
Onde Contratar
Nós contratamos com a Noronha Va'a, que é a principal (e única, na época) operadora de canoa havaiana na ilha. Eles têm duas canoas: uma para 4-6 pessoas e outra para 2-3 pessoas.
Preço: R$ 280 por pessoa (passeio de 40-60 minutos)
Horários: 6h30, 7h30 e 16h30 (pôr do sol)
Reserva: Obrigatória, por WhatsApp (+55 81 99999-9999 — ligue com antecedência!)
Inclusos: Instrutor, coletes salva-vidas, remos, seguro
Requisitos
Idade mínima: 12 anos
Saber nadar: Recomendável, mas não obrigatório (todos usam coletes)
Condicionamento físico: Moderado (você vai remar, mas não é extenuante)
Limite de peso: 120 kg por pessoa
O Que Levar
Obrigatório: Protetor solar (de preferência biodegradável), boné/viseira, água
Recomendado: Câmera GoPro ou celular em case impermeável, roupa de banho, toalha
Esqueça: Bolsas grandes, chinelos (você vai molhar os pés), drones (proibido em Noronha sem autorização)
Melhor Época
Alta visibilidade: Setembro a março (água mais clara, ideal para ver tartarugas e peixes)
Mar mais calmo: Outubro a fevereiro
Menos turistas: Maio a agosto (mas pode ter mais vento e mar agitado)
Nós fomos em janeiro. O mar estava perfeito — calmo pela manhã, com leve ondulação à tarde. A visibilidade era de 20-25 metros, e avistamos tartarugas, arraias e golfinhos em todos os passeios.
Dicas de Quem Fez
Vá no horário do nascer do sol: Sim, é cedo. Sim, vale absurdamente a pena. O mar está mais calmo, a luz é mágica, e você evita o sol forte.
Faça mais de um passeio: O primeiro é sobre superar o medo. O segundo é sobre aproveitar. O terceiro é sobre realmente sentir a experiência.
Ouça o instrutor: Marcelo nos salvou de remar errado 47 vezes. Confie no processo.
Não trave os braços: O erro mais comum é remar só com força dos braços. Use o tronco, gire o corpo, deixe o peso fazer o trabalho.
Respire: Parece óbvio, mas quando você está nervoso, prende a respiração. Respire fundo, acompanhe o ritmo, relaxe.
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Outras Experiências Que Fizeram Nossa Viagem Completa
A canoa havaiana foi o destaque, sem dúvida. Mas Fernando de Noronha tem muito mais a oferecer, e três dias é tempo suficiente para equilibrar aventura e descanso.
Trilha do Atalaia
No segundo dia, fizemos a famosa Trilha do Atalaia, que leva até piscinas naturais incríveis. O acesso é limitado a 100 pessoas por dia, então você precisa agendar no ICMBio assim que chegar na ilha.
A caminhada leva 40 minutos (ida e volta) por uma trilha de areia e pedras. É moderada, mas vale cada passo. A Piscina do Atalaia é rasa (1 metro de profundidade), cristalina e cheia de vida marinha — vimos polvos, peixes-donzela, pepinos-do-mar e até um tubarão-limão juvenil (completamente inofensivo, mas impressionante).
Dica: Leve máscara e snorkel. Eles são obrigatórios (não pode mergulhar livre lá), mas se você não tiver, pode alugar na entrada.
Custo: Grátis (já incluso na taxa de preservação de Noronha, que é R$ 99 por dia)
Snorkel na Praia do Sancho
Considerada uma das praias mais bonitas do mundo, o Sancho não decepciona. A descida é meio dramática — você desce por uma escada de ferro encravada em uma fenda na rocha —, mas a recompensa é um mar absurdamente azul e calmo.
Fizemos snorkel livre por quase 2 horas. Vimos tartarugas enormes, raias-manta, peixes-borboleta e até golfinhos rotadores nadando na baía.
Dica: Chegue cedo (antes das 9h) para evitar multidões e pegue um bom espaço na areia.
Pôr do Sol no Forte São Pedro do Boldró
No último dia, assistimos ao pôr do sol no Forte São Pedro do Boldró, que tem uma vista de 180 graus para o mar. O sol desce exatamente entre dois morros, criando um espetáculo de luz alaranjada que reflete na água.
Levamos cervejas, sentamos na grama e ficamos em silêncio. Depois de três dias intensos, foi o fechamento perfeito.
Custo: Grátis
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O Que Fernando de Noronha Nos Ensinou
Viajar para Fernando de Noronha foi, inicialmente, sobre descanso. Sobre fugir da rotina. Sobre tirar fotos bonitas para o Instagram. Mas a ilha — e especialmente a canoa havaiana — nos ensinou algo muito mais profundo.
Ensinou que o verdadeiro luxo não é conforto. É presença.
Ensinou que beleza não é algo que você consome. É algo que você testemunha e respeita.
Ensinou que vulnerabilidade — aquela sensação de estar fora da zona de conforto, com medo, mas avançando mesmo assim — não é fraqueza. É onde a vida realmente acontece.
E talvez a lição mais importante: ensinou que as melhores memórias não vêm de planos perfeitos. Elas vêm de momentos inesperados, quando você se permite errar, ajustar e continuar. Assim como na canoa.
Na última noite, os quatro sentamos na varanda da pousada com uma garrafa de vinho (terrível, por sinal — vinho em ilha tropical não funciona) e relembramos os melhores momentos da viagem.
"A tartaruga no primeiro dia", Carol disse.
"Quando eu quase caí da canoa e vocês riram de mim", Paulo emendou (era verdade, e foi hilário).
"O silêncio no terceiro passeio", Rafael refletiu. "Aquele momento em que paramos de remar e só ouvimos o mar."
E eu? Eu escolhi algo diferente.
"Meu momento favorito foi perceber que eu estava feliz. Não feliz porque estava de férias ou porque a paisagem era bonita. Mas feliz de verdade, do tipo que você sente por dentro e não precisa de nada externo para validar."
Eles ficaram quietos por um segundo. Depois Carol sorriu. "É. A canoa fez isso com a gente."
E fez mesmo.
Informações Finais: Organizando Sua Viagem a Noronha
Como Chegar
Fernando de Noronha tem voos diretos de Recife (1h15) e Natal (1h). Nós saímos de Recife com a Azul, voo às 7h da manhã (R$ 1.200 ida e volta por pessoa).
Dica: Compre as passagens com 2-3 meses de antecedência. Os preços sobem absurdamente perto da data.
Taxas Obrigatórias
Taxa de Preservação Ambiental: R$ 99/dia (pago online antes da viagem)
Ingresso do Parque Nacional Marinho: R$ 222 válido por 10 dias (compre no site do ICMBio)
Quanto Gastar (3 dias, 4 pessoas)
Hospedagem: R$ 2.800 (3 noites na Pousada Maravilha, chalé compartilhado)
Alimentação: R$ 1.600 (refeições em restaurantes locais, mercado para lanches)
Passeios: R$ 1.680 (canoa havaiana 3x, trilha gratuita)
Transporte (buggy): R$ 1.050 (3 dias)
Taxas: R$ 1.780 (preservação + parque nacional)
Total: R$ 8.910 para 4 pessoas = R$ 2.227 por pessoa (sem passagens aéreas)
O Que Não Fazer em Noronha
Não toque nos animais marinhos (tartarugas, peixes, corais)
Não use protetor solar químico (degrada os corais; use mineral ou fique sem)
Não leve plástico descartável (a ilha está em luta contra resíduos)
Não alimente animais selvagens
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Voltando para Casa (Mas Deixando um Pedaço de Nós Lá)
O voo de volta para Recife foi silencioso. Não o silêncio desconfortável de quem não tem o que dizer, mas o silêncio de quem viveu algo grande demais para caber em palavras.
Eu olhava pela janela, vendo Fernando de Noronha ficar cada vez menor lá embaixo, e sentia uma mistura estranha de gratidão e saudade. Gratidão pela experiência. Saudade de algo que ainda estava acontecendo 10 minutos atrás.
"Vamos voltar", Carol disse, como se estivesse lendo meus pensamentos.
"Com certeza", Paulo concordou. "Mas da próxima vez, eu quero fazer o curso completo de va'a."
Rafael riu. "Você vai virar remador profissional?"
"Por que não?"
E essa é talvez a melhor parte de experiências como a canoa havaiana em Fernando de Noronha: elas não terminam quando você sai da água. Elas te acompanham. Mudam a forma como você vê o mundo, as pessoas ao seu redor e a si mesmo.
Hoje, cinco meses depois, ainda falamos sobre aqueles três dias. Ainda mandamos fotos no grupo. Ainda planejamos a próxima viagem (provavelmente Abrolhos, para tentar caiaque de mar).
Mas o que realmente ficou não foram as fotos. Foram as memórias que não cabem em pixels: o som dos remos entrando na água, a sensação de sincronia, o cheiro do mar logo cedo, o gosto do medo virando euforia.
E se você está lendo isso e se perguntando "será que vale a pena?", eu respondo com a mesma frase que Marcelo nos disse no primeiro dia:
"Vocês vieram até aqui. Agora confiem. A canoa vai mostrar o caminho."
Ela mostrou. E mudou tudo.
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