La Casa De La Playa: 40 Braçadas Entre Resort e Oceano
Quando luxo não é sobre ostentação, mas sobre ter um canal privativo que termina no oceano — e 48 horas para descobrir que exclusividade verdadeira é medida em silêncio, não em likes.
Braçada 23: O Momento em Que Água Doce Vira Salgada
Voltei a nadar. Crawl lento, respiração de três tempos, braços cortando a água sem pressa. Braçada 24, 25, 26. Na 31, senti a mudança — a água ficou mais densa, o sabor no canto da boca mudou de cloro para sal. Coloquei os pés no fundo de novo. Areia. Não mais azulejo de piscina, mas areia caribenha autêntica.
Olhei para trás. Quarenta metros. Eu havia nadado 40 metros — tecnicamente dentro de um resort, tecnicamente dentro do mar. A linha onde um terminava e o outro começava não existia. Era isso. Essa era a experiência que justificava La Casa De La Playa ser eleito o #1 Resort do México pela Travel + Leisure 2025, ter certificação AAA Five Diamonds e Forbes Five Stars ao mesmo tempo.
36 Horas Antes: Quando "Apenas 63 Suítes" Significa Algo Diferente
O motorista do transfer desligou o motor em frente a uma estrutura de concreto aparente que parecia ter sido esculpida, não construída. "La Casa De La Playa," ele anunciou com reverência de quem apresenta uma relíquia. Não havia letreiro gigante. Não havia fachada chamativa. Apenas uma entrada discreta ladeada por palmeiras e uma sensação imediata de que eu estava prestes a entrar em algo muito diferente de "resort all-inclusive".
O lobby que não é lobby - 8 metros de pé-direito e uma parede inteira aberta para o mar
Arrastei minha mala pelo piso de pedra calcária — cada placa irregular, cada textura proposital. O lobby não era lobby. Era um salão de pé-direito de 8 metros com uma parede inteira aberta para o mar. Vento caribenho entrava livre, bagunçando meu cabelo, trazendo cheiro de sal e madeira molhada. À esquerda, uma escultura de bronze de 3 metros representava uma mulher maia tecendo. À direita, uma instalação de vidro soprado desafiava a gravidade.
"Primera vez?" A recepcionista sorriu como se já soubesse todas as minhas perguntas. Primeira vez, confirmei. Ela deslizou pela mesa um envelope de papel algodão com meu nome em caligrafia manuscrita. "Suite 47, Casa de la Playa. Seu mordomo é Miguel — ele já está esperando".
Mordomo? "Cada suíte tem um mordomo dedicado durante toda a estadia," ela explicou, percebendo minha confusão. "Miguel cuida de reservas, preferências, qualquer necessidade. Pense nele como seu concierge particular".
Preferência registrada? Eu não tinha... ah, sim. No formulário online pré-chegada, tinha marcado "ar condicionado frio" distraidamente. Eles levaram a sério.
🏨 Veja Disponibilidade no TripAdvisorSuite 47: O Quarto Que Era Maior Que Meu Apartamento
O elevador tinha capacidade para quatro pessoas — mas eu estava sozinho. Música instrumental maia tocava baixinho, quase imperceptível. Oitavo andar. As portas se abriram para um corredor de 30 metros com apenas seis portas. Seis suítes por andar. Matemática simples: oito andares, 63 suítes no total. La Casa De La Playa era menor que a maioria dos hotéis de Playa del Carmen que eu tinha passado no caminho.
Inseri o cartão na porta 47. Bip verde. Empurrei.
110 metros quadrados me encararam de volta.
110m² onde cada detalhe sussurra: sim, todas as 63 suítes têm piscina privativa - é o padrão aqui
Não era quarto. Era residência temporária. À direita, sala de estar com sofá de linho branco, mesa de centro de madeira de parota, televisão de 65 polegadas que eu sabia que não ligaria. À esquerda, cama king-size com dossel minimalista e lençóis de algodão egípcio 600 fios (toquei depois, por curiosidade científica). À frente, uma parede de vidro de 6 metros que se abria completamente para o terraço.
O terraço. Ah, o terraço.
Caminhei para fora. Vinte metros quadrados de piso de madeira teca. À direita, jacuzzi para dois (ironia de estar sozinho não passou despercebida). À esquerda, duas espreguiçadeiras balinesas com almofadas que pareciam nuvens solidificadas. E no centro, piscina privativa de 6 metros com borda infinita voltada para o Mar do Caribe.
Sim. Piscina. Privativa. Na suite.
Tirei os sapatos, mergulhei os pés na água. 28°C. Temperatura perfeita entre "refrescante" e "posso ficar aqui eternamente". O mar estava a 150 metros à frente, em três tons diferentes de azul que não deviam existir na mesma paleta de cores.
O telefone da suíte tocou. Atendi sem pensar. "Señor, soy Miguel. Chegou bem? A piscina da sua suíte está boa de temperatura?" Respondi que sim, perfeita. "Ótimo. Marquei seu almoço no La Marea para 13h15 — chega 5 minutos antes, mesa na varanda, vista para o mar. Precisa de algo antes?"
Não, estava tudo... espera. "Miguel, quantas suítes têm piscina privativa?" Ele riu baixinho. "Todas as 63, señor. É o padrão aqui".
13h15: Quando Almoço Vira Apresentação de Tese
13h15 — Cheguei no La Marea com cinco minutos de antecedência, conforme instrução de Miguel. O restaurante ocupava todo o térreo voltado para o mar — paredes retráteis abertas, vento bagunçando toalhas de linho branco, som de ondas competindo com música bossa nova no volume exato.
"Mesa para um?" O maître já sabia. Ele me levou para uma mesa de dois lugares — sozinha, estrategicamente posicionada onde a varanda terminava e a areia começava. "Chef Claudia preparou menu especial hoje. Posso trazer para você?"
Entrada: Ceviche de polvo com manga e habanero - quando três pedaços contam uma história completa
Menu especial? "Todos os dias temos um menu rotativo além do cardápio fixo. Hoje é frutos do mar caribenhos. Inclui entrada, prato principal, sobremesa. Acompanhamento de vinho, se quiser." Sim, óbvio, vinho.
A entrada chegou em sete minutos. Ceviche de polvo com manga e habanero. Apresentação minimalista — três pedaços de polvo, seis cubos de manga, molho tigre de leite disperso artisticamente. Provei. Textura: macio mas com resistência. Sabor: doce da manga cortando o ácido do limão, calor do habanero chegando três segundos depois. Perfeito.
O garçom — Mario, li no crachá discreto — trouxe taça de vinho branco. "Sauvignon Blanc, Valle de Guadalupe. 90 milhas daqui, mas parece outro mundo." Provei. Mineral, cítrico, casava com o ceviche como se tivessem nascido juntos.
Prato principal: risoto negro de lula com camarões grelhados. O arroz estava no ponto exato entre al dente e cremoso — técnica italiana executada com ingredientes mexicanos. Comi devagar, cada garfada uma pequena meditação.
"¿Todo bien?" Chef Claudia saiu da cozinha, ainda de avental. Sim, tudo incrível. Ela sorriu: "Miguel me disse que você veio sozinho. Comida boa sozinho é diferente — você presta atenção em cada sabor." Verdade. Eu estava prestando. Não tinha celular na mesa. Não tinha conversa para distrair. Só eu, o risoto, e o mar ao fundo.
15h30: O Spa Que Me Fez Dormir (Literalmente)
15h30 — Miguel havia marcado o "Ritual de Boas-Vindas" no Muluk Spa para 15h30. Cheguei às 15h27 (sempre cinco minutos antes, aprendi). O spa ficava numa estrutura separada conectada ao hotel por uma passarela de madeira suspensa sobre jardim de plantas nativas.
Onde perdi consciência por 40 minutos - e meu corpo cobrou conta de seis meses sem férias
A recepcionista do spa me ofereceu chá de hierba buena e um questionário: "Áreas de tensão? Preferência de pressão? Alergias? Temperatura ambiente ideal?" Preenchi honestamente: ombros tensos, pressão firme, sem alergias, 21°C.
Dez minutos depois, eu estava numa sala de tratamento com parede de vidro voltada para o mar. Música de ondas (real, não gravada) entrava pela janela aberta. A terapeuta — Lucía, 28 anos, mãos que pareciam ter PhD em nós musculares — explicou: "Ritual de 90 minutos. Começamos com esfoliação de sal marinho, depois argila bentonita, termina com massagem com óleo de coco e lavanda".
A esfoliação foi agressiva no melhor sentido — pele morta saindo, pele nova respirando. A argila era fria, depois morna, depois quente conforme aquecia com meu corpo. E a massagem... bem, a massagem foi onde perdi consciência.
Saí do spa às 17h15, flutuando numa dimensão alternativa onde problemas não existiam e gravidade era opcional. Voltei para a suíte. A cama parecia me chamar. Cedi. Dormi até às 19h30.
20h45: Tuch de Luna e a Poesia Comestível de Martha Ortiz
Acordei com o celular vibrando. Mensagem de Miguel: "Señor, sua mesa no Tuch de Luna é 21h. Recomendo chegar 20h50. É experiência de 2h30 mínimo. Dress code: casual elegante (calça comprida). ¿Confirmamos?"
Confirmei.
Tempo 5: Polvo grelhado com mole branco - 32 ingredientes, 48 horas de preparo, poesia em porcelana
Tuch de Luna. O restaurante-conceito da Chef Martha Ortiz, considerada uma das chefs mais inovadoras do México. O nome significa "Lua Cheia" em maia — e o restaurante só funcionava em noites especiais, com menu degustação poético (sim, poético, descobri depois).
Cheguei às 20h48. A entrada do Tuch de Luna não tinha placa — apenas uma porta de madeira entalhada com símbolos maias e uma vela acesa ao lado. Empurrei. Salão circular de 30 lugares, iluminação apenas por velas e lua (que convenientemente estava cheia naquela noite), paredes cobertas de arte têxtil oaxaqueña.
"Boa noite. Menu degustação?" O sommelier já sabia. "Menu esta noite é Poemas del Mar — oito tempos, cada um inspirado em um poema mexicano sobre o oceano. Começamos com Octavio Paz." Ele entregou um cartão manuscrito com o poema "Piedra de Sol".
- Tempo 1: Ostra fresca com granita de pepino - "Claridade de água subterrânea"
- Tempo 3: Robalo em crosta de sal marinho (40 min de preparo) - "Onde se encontram mar e céu"
- Tempo 5: Polvo grelhado com mole branco de 32 ingredientes - "Dança de lua sobre as ondas"
- Tempo 8: Parfait de coco com sorvete de jamaica - "Amanhecer no Caribe"
Eu estava no tempo 5 (costelinha de cordeiro com redução de tamarindo) quando reparei: as outras mesas estavam vazias. Olhei o relógio — 22h14. Eu era o último cliente. O Chef Martha saiu da cozinha, ainda de jaleco, e veio até minha mesa. "¿Todo bien?" Sim, respondi. Tudo perfeito. Ela sorriu: "Disfruta el postre. É minha avó quem ensinou a receita".
Terminei às 23h42. Paguei? Não. All-inclusive incluía até jantares de oito tempos com Chef Martha Ortiz. La Casa De La Playa não brincava em serviço.
🍽️ Reserve Seu Jantar no TripAdvisorDia 2, 7h15: A Decisão de Não Ter Planos
Acordei às 6h50 sem alarme — corpo finalmente ajustado a não ter pressa. Abri a cortina do quarto. Amanhecer sobre o Caribe: tons de rosa, laranja, azul claro misturados como aquarela molhada. Fui para o terraço, mergulhei na piscina privativa.
6h50 sem alarme - quando seu corpo finalmente entende que não ter pressa é permitido
Água a 28°C. Céu sem nuvens. Zero pessoas visíveis. Flutuei de costas por 23 minutos (sim, cronometrei depois), olhando um único pelicano que sobrevoava a praia em círculos preguiçosos.
O telefone da suíte tocou. Miguel. "Bom dia, señor. Planejamento para hoje?" Respondi honestamente: não tinha. "Perfeito. Sugestão: café da manhã no La Marea 8h30, depois nada até 11h. Às 11h, experimente o canal de natação — maré está baixa, água calma, melhor horário. Tarde livre. Jantar no Sky Bar às 20h, pôr do sol mais drinks. ¿Le parece bien?"
Parecia perfeito.
10h47: As 40 Braçadas Que Explicaram Tudo
Desci para a piscina principal às 10h40. O complexo de piscinas tinha três seções: piscina principal (40 metros de extensão), wet bar no centro (banquetas dentro da água, bartender servindo drinks sem você sair), e o canal.
O canal.
O canal de 40 metros - onde engenharia absurda permite nadar de piscina para oceano sem perceber a transição
Media 40 metros de comprimento por 3 de largura. Começava na piscina principal e terminava... no mar. Literalmente. A engenharia era absurda: água da piscina fluía continuamente pro mar, mas ondas não entravam de volta (comporta subaquática invisível). Resultado: você nadava de piscina para oceano sem perceber a transição.
Coloquei óculos de natação. Mergulhei. Comecei a nadar.
Braçadas 11-20: água ficando mais densa, sabor mudando sutilmente.
Braçadas 21-30: cloro desaparecendo, sal chegando, fundo virando areia.
Braçadas 31-40: oceano. Mar do Caribe autêntico.
Coloquei os pés na areia subaquática. Ondas pequenas batiam nas minhas costas. Virei para trás — 40 metros de canal, depois a piscina, depois o hotel. Virei para frente — oceano infinito, barcos minúsculos no horizonte, água azul-impossível.
E entendi.
Nadei de volta. Mais 40 braçadas, agora em direção ao luxo. Curiosamente, as duas direções me pareciam igualmente valiosas.
🏊 Veja Mais Sobre as Piscinas17h30: Bodega de Mezcal (E a Lição de Don Ramiro)
Às 17h, decidi explorar. O mapa do resort indicava "Bodega de Mezcal" no primeiro andar. Desci. Porta de madeira escura, placa discreta: "Cava de Mezcal — Degustação às 17h-19h".
117 garrafas artesanais e a lição de Don Ramiro: mezcal não é bebida, é história líquida
Empurrei. Sala de 20 metros quadrados com paredes de prateleiras do chão ao teto. 117 garrafas de mezcal artesanal de diferentes regiões do México (contei depois). Bancada de degustação no centro, cinco banquetas altas, bartender de bigode branco polindo copos de barro.
"Primeira vez em cava de mezcal?" Don Ramiro — li no crachá bordado — já sabia a resposta. Primeira vez, confirmei. "Perfecto. Vamos educar ese paladar." Ele colocou três copos de barro na minha frente.
- Mezcal 1 - Espadín, Oaxaca: Defumado suave, toque cítrico. "El clásico - 90% do mezcal do México"
- Mezcal 2 - Tobalá, Puebla: Complexo, floral, quase perfumado. Agave selvagem de 15 anos. "Garrafa custa $450 no varejo. Aqui é incluído."
- Mezcal 3 - Pechuga, Oaxaca: Destilado com peito de peru, frutas, especiarias. Sabor indescritível.
Conversei com Don Ramiro por 40 minutos. Ele tinha 67 anos, 35 trabalhando com mezcal, seis filhos, doze netos. "Mezcal não é bebida, señor. É história líquida. Cada garrafa conta vida de quem fez." Filosofia embriagante — literalmente.
20h: Sky Bar e o Pôr do Sol Que Justifica Preço Alto
20h00 — O Sky Bar ficava no rooftop, décimo andar. Cheguei às 19h55 (sempre cinco minutos antes). Terraço de 200 metros quadrados, piscina infinita de borda ao longo de toda a extensão, lounges baixos com almofadas brancas, música deep house no volume exato para ouvir sem interferir.
Sky Bar às 20h14 - 18 minutos de céu que vai de laranja a roxo enquanto você eterniza o dia
"Boa noite. Primeira vez no Sky Bar?" O bartender — Javier, 32 anos, colete impecável — gesticulou para um lounge vazio. "Recomendação?" Javier sorriu: "Depende. Você quer esquecer o dia ou eternizar ele?" Eternizar. "Entonces... Atardecer Caribeño. Tequila añejo, bitter de hibisco, espuma de limão, toque de sal defumado. Bebe olhando o sol descer."
O drink chegou em cinco minutos. Provei. Complexo, balanceado, levemente salgado no final. Perfeito para o momento.
O sol começou a descer às 20h14. Céu virou laranja, depois rosa, depois roxo, depois aquele azul escuro que precede a noite. Durou 18 minutos. Fotografei? Não. Apenas assisti.
Quando o sol desapareceu completamente, as luzes do Sky Bar acenderam automaticamente — não de repente, mas gradual, como se o espaço respirasse junto com o dia terminando.
Fiquei no Sky Bar até 22h30. Três casais chegaram, beberam, saíram. Quatro amigos comemoraram aniversário discretamente. Ninguém foi ruidoso. La Casa De La Playa atraía um tipo específico de viajante: aquele que valoriza luxo silencioso.
🍹 Veja Avaliações do Sky BarDia 3, 6h30: Amanhecer e o Peso da Despedida
Meu último amanhecer na suíte 47. Acordei naturalmente às 6h28. Fui direto para o terraço, mergulhei na piscina privativa. Água fria agora — 26°C, temperatura noturna. Nadei oito voltas, braçada lenta, respiração consciente.
O céu clareou devagar. Primeiro cinza, depois rosa pálido, depois laranja suave. Sem drama. Apenas transição honesta de noite para dia.
Miguel ligou às 7h15. "Bom dia, señor. Check-out é meio-dia, mas podemos estender até 14h se quiser. Seu voo é que horas?" Às 16h, respondi. "Perfecto. Deixa até 14h. Café da manhã no La Marea, depois aproveita a praia. Transfer sai 14h15."
Obrigado, Miguel. "Para eso estoy, señor. ¿Disfrutó su estancia?" Sim, muito. Mais do que imaginava. "Me alegra. Espero vê-lo de novo." Eu também, Miguel.
13h45: A Conta Que Nunca Chegou (E a Lição Final)
Desci para o lobby às 13h50. Miguel estava me esperando, envelope na mão. "Sua conta, señor." Abri. Uma folha branca com um único valor: $0.00.
Como assim zero? "All-inclusive verdadeiro," Miguel explicou. "Tudo que você consumiu — jantares, drinks, spa básico, degustações — está incluído na diária. Você só paga extras como tratamentos especiais de spa ou experiências externas. Mas você não pediu nada extra."
"Transfer está esperando, señor." Miguel me acompanhou até a saída. Apertamos as mãos. "Vuelva pronto." Volto, Miguel. Volto.
No Transfer Para o Aeroporto: A Resposta Para a Pergunta Que Não Fiz
O motorista ligou o rádio baixinho — música regional mexicana. Olhei pela janela. Playa del Carmen passava em alta velocidade: lojas de souvenirs, resorts all-inclusive gigantes anunciando "1.200 quartos!", turistas carregando pranchas de stand-up paddle.
E percebi: La Casa De La Playa era antítese de tudo aquilo. Não competia em tamanho (apenas 63 suítes). Não competia em preço (era deliberadamente caro). Competia em algo mais difícil de quantificar: atenção.
Luxo não era ter piscina privativa. Luxo era ter piscina privativa cuja temperatura estava perfeita porque alguém se importou o suficiente para regular.
O aeroporto apareceu no horizonte. Meu voo sairia em 90 minutos. Em 6 horas, eu estaria de volta à realidade onde piscinas privativas não existem e ninguém te chama de "señor" com respeito genuíno.
Mas as 40 braçadas — ah, essas ficaram. Toda vez que eu precisasse lembrar que fronteiras podem ser fluidas, que luxo é atenção, que dois dias podem ser suficientes para reaprender o que importa, eu voltaria mentalmente àquele canal.
Guia Prático: Replique Esta Experiência
📍 Onde Ficar
La Casa De La Playa fica na Carretera Chetumal-Puerto Juárez, Km 282, Playa del Carmen, Riviera Maya, México.
- Resort boutique ultra luxo, adults only (18+)
- Apenas 63 suítes (exclusividade máxima)
- AAA Five Diamonds + Forbes Five Stars
- #1 Resort do México (Travel + Leisure 2025)
All-inclusive verdadeiro: suíte 110m² com piscina privativa, mordomo 24h, todos os restaurantes incluindo Chef Martha Ortiz, bares ilimitados, acesso aos 8 parques Xcaret, spa básico, Wi-Fi premium, minibar reabastecido diariamente.
🎯 Experiências Imperdíveis (Por Ordem de Prioridade)
Por Ordem de Prioridade:
- 1. Canal de Natação de 40 Metros - Única experiência do tipo no México. Melhor horário: 10h-12h (maré baixa, água calma).
- 2. Jantar no Tuch de Luna (Chef Martha Ortiz) - Menu degustação de 8 tempos, 2h30 de experiência poética. Reserva obrigatória (48h). Dress code: casual elegante.
- 3. Degustação na Bodega de Mezcal - 117 garrafas artesanais, degustação guiada com Don Ramiro. 17h-19h diariamente. Incluído.
- 4. Pôr do Sol no Sky Bar - Rooftop com piscina infinita, drinks autorais, vista 360°. Chegue 19h45.
- 5. Ritual no Muluk Spa - Tratamento de 90 minutos com vista para o mar. Reserva recomendada.