A Chegada que Mudou Tudo
O sol das seis da tarde batia direto no rosto da minha filha de oito anos quando pisamos na calçada de mosaico português de Copacabana pela primeira vez. "Mãe, isso é xadrez gigante no chão?", ela perguntou, agachando-se para tocar as pedrinhas pretas e brancas. Meu marido riu, ajustando a mochila nas costas do nosso filho de cinco anos, que já tinha os olhos vidrados nas ondas explodindo na areia a apenas 200 metros de distância.
Eu tinha planejado aqueles dois dias como um respiro simples: praia, castelo de areia, talvez um sorvete na orla. Mas Copacabana tinha outros planos para nós. E nas 48 horas seguintes, descobriríamos que o bairro mais famoso do Rio guarda aventuras que não cabem em nenhum cartão-postal.
A brisa salgada misturava-se com cheiro de óleo de coco e pastel frito. Um vendedor ambulante passou empurrando um carrinho de mate gelado, o gelo tilintando dentro do recipiente metálico. "Bem-vindos ao Rio", meu marido disse, sorrindo daquele jeito que eu reconhecia — ele também estava sentindo aquela eletricidade no ar.
🏨 Encontre o hotel perfeito para sua família em Copacabana no TripAdvisor
Hotel: A Base para Nossa Aventura Carioca
Escolher onde ficar em Copacabana com crianças não foi fácil. Passei três semanas lendo avaliações, comparando localizações, checando distâncias. Queria algo próximo à praia, mas não no meio do caos da Avenida Atlântica. Precisava de café da manhã reforçado (duas crianças em crescimento não negociam isso) e, idealmente, uma piscina para emergências climáticas.
Encontramos um hotel boutique a apenas duas quadras da orla, na Rua Barata Ribeiro. O prédio amarelo-pastel tinha sete andares e uma fachada discreta que prometia tranquilidade. Quando empurramos a porta giratória, o ar-condicionado nos abraçou como um alívio bem-vindo depois de 40 minutos de táxi desde o Galeão.
"Olha, pai! Tem peixinhos de verdade!" Meu filho correu até o pequeno aquário embutido na parede da recepção. Três peixes-palhaço nadavam preguiçosamente entre anêmonas artificiais, completamente alheios ao fascínio que causavam.
A recepcionista, uma carioca de 30 e poucos anos com um sorriso contagiante, nos entregou os cartões-chave. "Vocês estão no 604, lado da montanha. Vista pro Morro dos Cabritos. É lindo ao amanhecer", ela disse, piscando para as crianças. "E tem dica de passeio que não tá no mapa, viu? Depois eu conto."
O quarto era compacto mas funcional: uma cama king, uma beliche adaptada que fez os olhos dos pequenos brilharem, e uma varanda minúscula com duas cadeiras de plástico branco. Jogamos as malas no chão e fomos direto para a janela. A vista não era de praia, mas tinha algo melhor — o morro verde-escuro recortando o céu azul-cobalto, com casinhas coloridas grudadas na encosta como se desafiassem a gravidade.
"Amanhã a gente sobe lá?", minha filha perguntou.
"Quem sabe", respondi, sem imaginar que ela havia acabado de prever exatamente o que faríamos.
🔍 Compare preços de hotéis em Copacabana e economize até 30%
Primeiro Pôr do Sol: A Praia Era Só o Começo
Descemos para a praia às 17h30, com aquela urgência de quem tem pouco tempo e quer aproveitar cada minuto. A areia estava quente sob meus pés descalços, e o Atlântico rugia com ondas de quase um metro — perfeitas para crianças aventureiras e pais nervosos.
Alugamos duas cadeiras e um guarda-sol de um barraqueiro chamado Seu Jorge (sim, como o cantor, e sim, ele fez questão de cantar dois versos de "Burguesinha" quando soube nossos nomes). "Vocês vieram no dia certo", ele disse, apontando para o horizonte onde o sol começava sua descida. "Hoje vai ter pôr do sol de novela."
Na calçada, entre a ciclovia e os quiosques, um grupo de dez pessoas usava equipamentos de escalada. Não cordas penduradas em montanha, mas estruturas portáteis de slackline armadas entre coqueiros. Eles equilibravam-se a 30 centímetros do chão, braços abertos, concentração absoluta. Uma placa ao lado dizia: "Aulas gratuitas aos domingos. Todas as idades."
Voltei correndo para a areia. "Amor, olha aquilo", apontei. Minha filha, que fazia natação há dois anos e tinha equilíbrio de gato, imediatamente quis experimentar. "Amanhã", prometi. "Hoje a gente só curte o mar."
Mas a semente estava plantada.
O sol derreteu no oceano às 18h47 (sim, cronometrei). O céu virou uma aquarela de laranja, rosa-salmão e roxo, e mesmo as crianças pararam de gritar nas ondas para assistir. Seu Jorge estava certo. Era pôr do sol de novela.
Noite 1: Descobrindo que Copacabana Não Dorme
Depois de banho e troca de roupa no hotel, saímos para jantar sem plano específico. A Rua Barata Ribeiro à noite era um formigueiro humano: turistas tirando fotos, cariocas voltando do trabalho, skatistas fazendo manobras nas rampas improvisadas, casais de mãos dadas.
Entramos numa pizzaria-por-quilo que tinha fila até a calçada. O esquema era simples: você monta seu prato, pesa e paga por grama. Meu filho empilhou lasanha, batata frita e nuggets (claro). Minha filha foi mais ousada: salpicão, bolinho de bacalhau e arroz à piamontese. Eu e meu marido nos entupimos de camarão ao alho e óleo.
Comemos em pé numa mesinha alta, cotovelo a cotovelo com outros clientes, enquanto um televisor no canto transmitia um jogo do Flamengo. Quando o time fez gol, o restaurante inteiro explodiu em gritos. Meu filho quase derrubou o refrigerante.
"É sempre assim aqui?", perguntei ao garçom.
"Só quando o Fla joga", ele respondeu, sorrindo. "Ou seja, sim, sempre."
Depois do jantar, fizemos algo que jamais faríamos em casa: caminhamos sem destino. Copacabana à noite tem um pulso próprio. Passamos por uma roda de samba improvisada na Praça Serzedelo Correia, onde um grupo de amigos tocava pandeiro, cavaquinho e tantan enquanto duas senhoras sambavam com graça impossível. Minha filha pediu para parar e assistir.
Ficamos ali 20 minutos. Ninguém pediu dinheiro. Era só gente celebrando uma quinta-feira comum.
Às 21h30, voltamos para o hotel. As crianças caíram no sono em 10 minutos. Eu e meu marido ficamos na varanda, ouvindo o barulho da cidade lá embaixo — buzinas distantes, risadas, música vazando de algum bar. "Amanhã vai ser intenso", ele disse.
Eu sorri. "Mal posso esperar."
🎫 Reserve passeios e experiências no Rio com cancelamento grátis
Dia 2: A Escalada que Ninguém Esperava
Acordamos às 6h30 com o alarme. Mas as crianças já estavam acordadas, coladas na janela. "Mãe, tem gente correndo no morro!", minha filha disse, apontando.
Eu me arrastei até a varanda, ainda com cara de sono. Ela tinha razão. No Morro dos Cabritos, uma trilha ziguezagueava pela vegetação, e pelo menos dez pessoas subiam e desciam em ritmo de treino. Alguns corriam. Outros caminhavam. Mas todos pareciam saber exatamente onde iriam.
Lembrei da recepcionista. "A dica que não tá no mapa."Descemos para o café da manhã. O buffet era generoso: pão de queijo, tapioca feita na hora, frutas tropicais cortadas em cubos perfeitos, sucos naturais em três sabores. Meu marido comeu como se não houvesse amanhã.
A mesma recepcionista da véspera estava finalizando o turno da noite. "Bom dia, família aventureira", ela cumprimentou. "Curtiram a praia ontem?"
"Amamos", respondi. "Mas você falou de uma dica..."
Seus olhos brilharam. "O Morro dos Cabritos. Trilha de 40 minutos, íngreme mas segura, vista 360 graus lá em cima. Copacabana, Ipanema, Lagoa, Cristo, Pão de Açúcar — tudo no mesmo panorama. E quase nenhum turista sabe."
"É seguro com crianças?", meu marido perguntou.
"Meu sobrinho de seis anos sobe comigo todo mês. Só ir de manhã cedo, levar água e usar tênis. Vocês vão amar."
Duas horas depois, estávamos na base da trilha, ao lado do Forte de Copacabana. A entrada era discreta: um portão verde-musgo com uma placa desbotada dizendo "Trilha do Morro dos Cabritos — 600m até o topo".
Meu filho olhou para cima, para a parede verde que desaparecia no céu. "É muito alto?"
"A gente vai devagar", eu disse, ajustando a mochila com água e snacks. "E se cansar, a gente volta."
Ele respirou fundo. "Vamos."
A Subida que Ensinou Mais que Qualquer Aula
Os primeiros 100 metros foram tranquilos. O caminho de terra batida serpenteava entre árvores baixas e arbustos, com sombra generosa. Minha filha puxou a fila, determinada. Meu filho vinha logo atrás, segurando a mão do pai.
Depois de 15 minutos, a trilha inclinou. Pedras soltas apareceram. Raízes expostas formavam degraus naturais. Meu filho começou a reclamar. "Minhas pernas estão cansadas."
"Só mais um pouquinho", incentivei, sabendo que era mentira. Ainda faltava metade.
Foi quando encontramos Seu Antônio.
Ele descia a trilha com a tranquilidade de quem faz aquilo há décadas. Devia ter uns 70 anos, moreno queimado de sol, boné surrado do Vasco, sorriso largo. "Eita, família radical!", ele disse. "Primeira vez?"
"Primeira e talvez última", meu marido brincou, enxugando o suor.
Seu Antônio riu. "Olha, vou dar uma dica. Não olha pra cima, não. Olha só pro próximo passo. Daqui a pouco, vocês tão no topo e nem vão lembrar do cansaço."
Meu filho absorveu aquilo como lei universal. "Só o próximo passo, pai."
E funcionou.
Paramos três vezes para água e foto. A cada curva, a vista mudava. Primeiro, vimos o oceano. Depois, os prédios de Copacabana em ângulo nunca visto. Então, o Pão de Açúcar surgiu ao longe, imponente.
"Mãe, a gente tá subindo uma montanha de verdade", minha filha disse, os olhos arregalados.
"Sim, você tá", respondi, sentindo aquele orgulho de mãe que dói de tão bom.
Após 38 minutos (marcamos no relógio), chegamos ao cume.
🏔️ Explore trilhas e atividades outdoor no Rio com guias especializados
O Topo: Quando a Cidade Inteira se Revela
Não tenho palavras para descrever a vista do Morro dos Cabritos. Fotos não fazem justiça. Vídeos são incompletos. É preciso estar lá, com o vento chicoteando o rosto, o suor secando na pele, as pernas tremendo de esforço, para entender.
360 graus de Rio de Janeiro.
À esquerda, Copacabana desenhava sua curva perfeita até o Arpoador, onde Ipanema começava. À direita, o Forte de Copacabana parecia um brinquedo de montar. À frente, a Lagoa Rodrigo de Freitas brilhava como espelho de prata. E lá no fundo, quase flutuando no céu, o Cristo Redentor abria os braços.
"Uau", meu filho sussurrou.
Uau mesmo.
Ficamos lá em cima 40 minutos. Comemos biscoito cream cracker e banana (os melhores biscoito cream cracker e banana da nossa vida). Tiramos 47 fotos (sim, contei depois). Conversamos com um casal de franceses que estava há 15 dias no Brasil. E simplesmente sentamos em silêncio, deixando a cidade falar.
"Valeu a subida?", meu marido perguntou ao filho.
"Valeu todas as subidas do mundo", ele respondeu.
A descida foi mais rápida, 25 minutos de joelhos tremendo e risadas nervosas. Quando pisamos novamente no asfalto ao lado do Forte, eu me senti diferente. Mais leve. Mais viva.
"Próxima aventura?", minha filha perguntou.
"Slackline", eu disse. "Promessa é dívida."
Tarde de Equilíbrio e Tentativas Frustradas
Voltamos ao hotel, almoçamos sanduíches na padaria da esquina (o melhor sanduíche de pernil e queijo que já comi, servido por um português resmungão que reclamava do calor mas sorria para as crianças), e às 14h estávamos de volta à praia.
O grupo de slackline estava lá, montando as fitas amarelas entre os coqueiros. Dessa vez, eram seis pessoas, idades variadas — uma adolescente de 16, um senhor de talvez 50, dois universitários, e uma mulher de 30 e poucos com tatuagens coloridas nos braços.
"Vocês ensinam?", perguntei.
A mulher tatuada sorriu. "Sempre. Primeira vez?"
"De todo mundo."
"Perfeito. Vem."
Ela se apresentou como Carla, instrutora de slackline havia oito anos. "A primeira regra é cair. Todo mundo cai. Então relaxa que o chão é logo ali."
Minha filha foi a primeira. Subiu na fita com a confiança de quem nunca duvidou do próprio equilíbrio. Durou 1,5 segundo. Caiu rindo. Tentou de novo. 2 segundos. De novo. 3 segundos.
Na sexta tentativa, deu quatro passos completos. O grupo inteiro aplaudiu.
Meu filho tentou e desistiu na segunda queda. "Não é pra mim." Preferiu voltar para as ondas.
Meu marido impressionou a todos, conseguindo sete passos na terceira tentativa. "Fazia judô quando era criança", ele explicou. "Equilíbrio ficou."
Eu fui a pior. Não consegui mais de um passo. Mas ri tanto que as bochechas doeram.
Ficamos ali duas horas, alternando entre slackline e mar, entre tentativas frustradas e pequenas vitórias. O sol começou sua descida. Os vendedores ambulantes acenderam lamparinas a gás. O cheiro de mate gelado misturou-se com cheiro de peixe frito dos quiosques.
"Esse é o melhor dia das férias", minha filha declarou, deitada na areia.
"Ainda não acabou", lembrei.
🌊 Encontre os melhores beach clubs e quiosques em Copacabana
Forte de Copacabana: História com Gosto de Picolé
Às 16h30, andamos os 300 metros até o Forte de Copacabana. Eu sabia que fechava às 18h e queria ver o museu antes do pôr do sol.
A entrada custava R$ 10 por adulto. Crianças até 12 não pagavam. O porteiro, um militar aposentado com postura ereta, carimbou nossos ingressos e apontou para a direita. "Canhões primeiro, museu depois. Não percam a vista da muralha."
O Forte é pequeno mas fascinante. Construído em 1914, guarda quatro canhões Krupp originais da Primeira Guerra Mundial — monstros de ferro e bronze apontados para o oceano, como se ainda esperassem invasores que nunca viriam.
Meu filho ficou hipnotizado. "Eles atiravam de verdade?""Atiravam", confirmou um guia voluntário que apareceu ao nosso lado. "Alcance de 23 quilômetros. Podiam acertar um navio lá na altura de Niterói."
"Mas eles acertaram alguém?", minha filha perguntou.
"Nunca precisaram. A presença deles já era suficiente."
Visitamos o pequeno museu interno, com uniformes antigos, fotografias amareladas, e uma maquete do Rio em 1920. As crianças ficaram entediadas em 10 minutos (como esperado), mas eu poderia ter ficado uma hora.
O destaque veio depois: a muralha externa. De um lado, a praia de Copacabana se esticava até virar sombra. Do outro, pedras negras brigavam com ondas gigantes, o Atlântico explodindo em espuma branca a cada cinco segundos.
"Aqui é diferente da trilha", meu marido observou. "Mais... dramático."Era verdade. A vista do morro era de contemplação. A vista do Forte era de força, de natureza indomável, de batalha eterna entre terra e mar.
Compramos picolé de limão num carrinho dentro do Forte (R$ 6 cada, mas valeu). Sentamos na muralha, pernas balançando sobre o vazio, lambendo picolé enquanto o sol fazia sua segunda apresentação do dia.
"Vocês sentem isso?", perguntei à família.
"O quê?", minha filha respondeu, língua verde de limão.
"Que a gente não tá só de férias. A gente tá... vivendo de verdade."
Meu marido pegou minha mão. "Sinto."
🏰 Descubra atrações históricas e culturais no Rio de Janeiro
Noite 2: Avenida Atlântica e o Ritmo Carioca
A noite final começou com churrasco numa churrascaria pé-sujo na Rua Siqueira Campos. Não tinha cardápio impresso. O churrasqueiro gritava as opções: "Picanha! Costela! Coração! Linguiça!" Você apontava, ele cortava direto do espeto para o prato de isopor. Sentamos em banquetas de plástico na calçada, comendo com as mãos, molho barbecue escorrendo pelos dedos.
"Isso é o melhor churrasco que já comi", meu marido disse, boca cheia.
"É porque você tá comendo de verdade", o churrasqueiro respondeu, sorrindo. "Sem frescura, só carne e fogo."
Depois do jantar, fizemos nossa última caminhada na orla. A Avenida Atlântica estava em festa — não oficial, mas real. Música saía de carros estacionados. Grupos de amigos bebiam cerveja sentados na mureta. Skatistas faziam manobras na ciclovia. Casais dançavam forró ao som de um radinho.
As crianças correram à frente, brincando de pega-pega no calçadão de mosaico. Eu e meu marido caminhamos devagar, mãos entrelaçadas, absorvendo tudo."A gente devia fazer isso mais vezes", ele disse.
"O quê? Viajar?"
"Não. Viver sem roteiro. Deixar a cidade nos mostrar o caminho."
Eu sorri. "Copacabana ensinou bem."
Paramos num quiosque para cerveja (nós) e suco de acerola (crianças). O atendente, um rapaz de 20 e poucos anos, perguntou de onde éramos. Contamos resumidamente os dois dias.
"Ah, vocês fizeram o circuito completo", ele disse, aprovando. "Trilha, slackline, Forte, churrasco raiz. Vocês não são turistas. Vocês viraram cariocas honorários."
Rimos, mas levamos o elogio a sério.
Voltamos ao hotel à meia-noite. As crianças caíram no sono no elevador, literalmente. Tivemos que carregá-las até o quarto.
Depois de colocá-las na cama, eu e meu marido voltamos para a varanda. Última vez vendo o Morro dos Cabritos à noite, iluminado por luzes esparsas de casas na encosta.
"Valeu a pena trocar a praia pelo morro?", ele perguntou.
"Valeu trocar o óbvio pelo inesperado", respondi. "Copacabana nos deu muito mais que praia. Deu aventura de verdade."
✈️ Planeje sua próxima viagem ao Rio com ofertas exclusivas
O Último Amanhecer: Reflexões na Areia
Acordei às 5h45 da manhã do último dia, corpo dolorido mas mente leve. Saí da cama sem acordar ninguém, coloquei chinelo e desci para a praia.
Copacabana às 6h da manhã é outro lugar. A areia estava vazia, exceto por três corredores solitários e um senhor fazendo tai chi chuan na beirada d'água. O oceano estava calmo, ondas pequenas lambendo a praia com preguiça.
Sentei na areia ainda úmida da maré alta da noite. O sol nasceu às 6h14, pintando o céu de tons de rosa-bebê e dourado.
Pensei nos dois dias. Na trilha que quase desistimos de fazer. No slackline que ninguém planejou. No Forte que era "só mais uma atração turística" mas virou um dos momentos mais bonitos. No churrasco na calçada. No picolé na muralha. Nas risadas. No cansaço bom.
Copacabana não foi a viagem que planejei. Foi melhor.
Porque ensinamos às crianças (e a nós mesmos) que aventura não precisa de montanhas distantes ou destinos exóticos. Aventura precisa de olhos abertos, pés dispostos, e coração curioso.
Às 7h, voltei para o quarto. Todos ainda dormiam. Deitei ao lado da minha filha, que roncava suavemente, rosto queimado de sol.
Às 9h, faríamos check-out. Às 10h30, pegaríamos o táxi para o aeroporto. Mas naquele momento, ainda éramos parte de Copacabana.
E Copacabana, de alguma forma, seria sempre parte de nós.
🎒 Comece a planejar sua aventura familiar no Rio de Janeiro